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Encontro no Ceará debate convivência no Semiárido e segurança alimentar

“Que alimentos (não) estamos comendo?”: essa foi a questão principal durante o Encontro do Fórum Cearense de Segurança Alimentar e Nutricional (FCSAN), ocorrido na sexta-feira (26), na capital cearense Fortaleza. 

 

Por Monique Linhares, do Esplar.

“Que alimentos (não) estamos comendo?”: essa foi a questão principal durante o Encontro do Fórum Cearense de Segurança Alimentar e Nutricional (FCSAN), ocorrido na última sexta-feira (26), em Fortaleza (CE). O evento, realizado no auditório do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria, reuniu mais de 15 entidades e quase 30 pessoas, algumas já engajadas e outras interessadas em participar e fortalecer a diversidade de lutas do Fórum. 

O Encontro cearense aconteceu como etapa preparatória para o VII Encontro Nacional do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), a se realizar em junho, no Rio Grande do Sul.

Um dos objetivos foi fortalecer as articulações do Fórum estadual, para que, como sociedade civil, tenha maior participação na proposição de políticas públicas em Rede e junto ao Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea). Assim pontuou Elza Braga, conselheira do Consea Nacional e professora do mestrado de Avaliação de Políticas Públicas da Universidade Federal do Ceará (UFC). “O que o Consea Nacional quer é a participação efetiva da sociedade civil, com maior abertura para os movimentos sociais, entre eles, indígenas e quilombolas. Quer promover o diálogo direto com poder público, que a sociedade civil paute as ações do Governo pela segurança alimentar em diversas instâncias: produção, distribuição e consumo, mobilizando assim várias secretarias e instituições que estejam envolvidas pela segurança e soberania alimentar”, explicou.

Helena Selma, integrante do FCSAN e professora da UFC, fez uma apresentação detalhada do Sistema e Política de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) no Ceará, destacando a luta pela criação da Lei Orgânica SAN e para que a norma fosse vigorada no estado. Enumerou, ainda, cada parte do Sistema, a fim de esclarecer como as organizações podem participar do processo e mobilizar os integrantes do Fórum. Em seguida, houve espaço para que cada participante pudesse falar sobre a situação de sua área de atuação, numa leitura crítica sobre o sistema alimentar, principalmente na zona rural do Ceará, além da costeira e da urbana.

Identidade Alimentar no Semiárido

O Ceará leva para a agenda dos Fóruns Estadual e Nacional o complexo problema da seca e sua relação com a segurança e soberania alimentar no Semiárido, num período que se configura pela falta de estocagem de água, podendo ocorrer desabastecimento, e de sementes. Atualmente, o Nordeste enfrenta a pior estiagem dos últimos 50 anos.

É como explica Antônio Barbosa, coordenador do programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil). “Estamos passando por um período contrário à produção de alimentos, de grande estiagem, grande seca; e a água é um elemento importante na produção de alimentos. Quando falamos de seca e estiagem são, na verdade, duas coisas. Estiagem é necessariamente a falta de água, seca é a falta de política, falta de estrutura para estocar água”, diferenciou.

Antônio apresentou diversos aspectos históricos de como o Semiárido sofre com a seca e como o seu povo convive com o ambiente. Mostrou experiências que revertem a condição fatalista do sertanejo, muito disseminada pela mídia e pelo Governo, como a estocagem de água para beber e produzir, por exemplo, por meio das cisternas de placa, implementadas pelo Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), e outras técnicas e estruturas, experimentadas o longo do tempo por agricultores e agricultoras.

Expôs também que o sentido cultural dos alimentos inclui os debates sobre a Identidade Alimentar, pelo reconhecimento da biodiversidade do Semiárido e pela valorização e resgate das sementes crioulas. Essas, também chamadas de sementes da paixão, caipiras, nativas ou locais, são melhoradas de geração em geração, carregando um patrimônio genético e cultural. Além disso, são mais resistentes e se mostram como alternativa às sementes transgênicas de transnacionais do ramo alimentício.

A soberania alimentar das populações depende, também, da manutenção de um conjunto de peculiaridades que cada local carrega, completou o coordenador da ASA Brasil. “Nós temos mais ou menos 170 semiáridos no Semiárido. E cada semiárido tem um conjunto de características, que tem a ver com a vegetação, com os animais, com a cultura, com as pessoas, e sobretudo, com o hábito alimentar de cada região”, afirmou Antônio.

Fotos: (1) e (2) Monique Linhares/ Esplar.

 

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