
Entre os dias 07 e 09 de abril de 2026, o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) realizou, no Rio de Janeiro, seu 9º Encontro Nacional, reunindo mais de 80 participantes de todas as regiões do país no Colégio Brasileiro de Altos Estudos/Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Estiveram presentes movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, organizações populares, agricultoras e agricultores familiares, pesquisadoras/es, coletivos urbanos, conselheiras/os e ativistas que constroem cotidianamente a luta pelo direito humano à alimentação adequada e saudável no Brasil.
Os debates reafirmaram que enfrentar a fome exige enfrentar também o racismo, o patriarcado, a violência nos territórios, a destruição ambiental e a captura das políticas públicas pelos interesses do agronegócio e das grandes corporações.
Ao longo dos três dias, os debates trataram principalmente de três eixos principais: abastecimento alimentar, fortalecimento do SISAN e das culturas alimentares. Além disso, também foi debatido a importância da agroecologia, da participação social e os desafios colocados para a garantia da soberania alimentar em um contexto marcado pela financeirização da vida e pela concentração do poder econômico sobre os sistemas alimentares.
Como resultado político do encontro, o FBSSAN lança a Carta do Rio, construída pelo Núcleo Executivo a partir dos acúmulos de escuta das denúncias e proposições apresentadas pelas organizações, movimentos e sujeitos presentes. A carta denuncia o uso da fome e dos alimentos como instrumentos de guerra e dominação, alerta para os impactos da expansão dos megaprojetos, do desmatamento, da mineração, do garimpo e do uso intensivo de agrotóxicos sobre os territórios e reafirma que não há soberania alimentar sem reforma agrária, demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, agroecologia, abastecimento alimentar público e fortalecimento da participação social.
A carta também denuncia os limites impostos pelo desfinanciamento das políticas públicas e pela apropriação do orçamento público por mecanismos que fragmentam programas estruturantes e enfraquecem a construção democrática das políticas de soberania e segurança alimentar e nutricional.
Em um contexto internacional atravessado por guerras, genocídios e pela utilização dos alimentos como arma política, o encontro reafirmou a necessidade de fortalecer o multilateralismo, a solidariedade entre os povos e a soberania alimentar como princípio político capaz de enfrentar a fome, as desigualdades e a violência produzida pelos atuais sistemas alimentares.
O 9º Encontro Nacional do FBSSAN também definiu encaminhamentos organizativos para os próximos meses, incluindo a formação de grupos dinamizadores, rodas de conversa e a elaboração de um documento síntese sobre os debates realizados durante a atividade, buscando fortalecer a incidência política do Fórum nos processos que se colocam em 2026.
A Carta do Rio pode ser acessada na íntegra aqui.

